Dentro Do Mesmo Time

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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

XV de Novembro

Meu primeiro conto, espero que gostem.


Era um feriado num dia domingo. Lembrara que sempre odiava quando o feriado caia em um dia domingo. Mas hoje tanto importava: não era mais aluno-obrigação, fazia cursinho. Ia pro curso quando queria ir, independente de feriado ou não.

A televisão estava um porre, nada de interessante. Apenas alguns comentários do tipo: “puta merda, o Brito Jr. Nunca vai aprender a fazer mistério?”. Enfim o tédio dominava a televisão, então ligara para sua amiga, que por algum motivo explicado depois, não o atendia e o tédio continuava a pairar sobre a sua cabecinha.

Então começava a pensar em conspirações absurdas sobre a sua nova paixão: será que Hoffman e Amanda estavam juntos no seqüestro do Dr. Gordon? O que dizia o bilhete que Pamela entregou a Jill antes de ser seqüestrada? Será que Perez tinha falado a verdade pra Hoffman antes de morrer? Não saberia responder. Faltava-lhe assistir o número III e o IV da franquia, assim fica quase impossível descobrir todos os mistérios. Então decidiu que o melhor que tem a fazer é esperar a estréia do VII.

Lembrou também do almoço que havia feito. Uma torta de frango, muito bonita e muito gostosa. Uma espécie de sonho se realizava. Desde que aquela novela do macaco havia estreado, morria de vontade de fazer uma torta igual a que a Elizabeth Savalla fazia para satisfazer a grande fome de Fúlvio Stefanini, consequentemente aumentando ainda mais a sua já grande pança. Tinha se dedicado a fazer essa torta. Fez uma grande pesquisa na internet, procurando todas as dicas e macetes para fazer massa-podre, e se deparou com grandes variações da mesma: massa-podre-com-azeite, massa-podre-com-tomate-seco, mas preferiu ficar com a massa-podre-com-queijo-parmessão.

Então passou o seu feriado, que caia num domingo, que agora pouco o importava, porque tanto faz pra ele agora o feriado cair num domingo ou não, a se dedicar a fazer à torta. Fez o recheio, e partiu pra massa. Não conseguia abrir a massa com o rolo e por isso sentiu por um rápido momento que sua torta não ia funcionar. Então muito contrariado, fez a torta a base do remendo e a colocou no forno. A torta foi um grande sucesso e a operação que parecia fadada ao fracasso se mostrava bem mais interessante. Riu de si mesmo. Viu que o acontecimento mais maravilhoso do seu dia foi ter feito uma torta que deu certo. Que coisa mais dona de casa, mas anti-feminismo ao avesso. Chamou a si mesmo de idiota. Pensou e novamente o tédio o batia de novo.

Tentou novamente ligar para a sua amiga, mas nada de dar sinal. Então em quanto o sono não via resolveu procurar alguma coisa pra fazer, antes que sua cabeça voltasse a ser dominadas por pensamentos tão idiotas (pelo menos ele mesmo achava) quanto àquele que ele já tinha tido. Viu em cima as sua cama o exemplar de um livro do Caio Fernando Abreu que havia impresso a tarde e resolveu começar a ler.

O primeiro conto se chamava, tinha alguma coisa parecida, não lembrara direito mais sabia que tinha as palavras: Linda (é maiúscula mesmo, Linda era uma personagem, não um adjetivo) e horrível (essa minúscula mesmo). Lia, desde que conheceu a obra de Caio Fernando Abreu por causa de um personagem do Guilherme Weber numa minissérie da Maria Adelaide Amaral, não parou mais de ler e o elegeu como seu autor favorito. Estava encantado com os personagens, tão humanos. Dona Alzira, tão velha e tão amargurada quanto Linda, sua velha cachorra. E seu filho sem nome seguia o mesmo caminho.

Foi quando, sem menos esperar, de repente, não mais que de repente lê o nome de seus dois amores nas páginas do livro. Os mesmos dois amores que tinha dedicado um post no seu blog. Ficou sem entender, achou graça, achou confuso, tentou ligar pra sua amiga que não atendia de novo, e por isso achou que era um sinal. Parecia que a monotonia daquele dia havia acabado lá por volta da meia-noite se sentiu motivado e feliz. Leu mais três contos: um que falava de uma moça-puta chamada Beatriz que morria de leucemia, numa conversa um tanto (homo)erótica sobre o mar e da falta que uma tal de Ana fazia a um cara, todos muito interessantes, mas não mais que o nome de seus amores que apareceram no livro. Faltam mais nove contos a serem lidos, mas o sono bateu. Depois leria o resto. Agora iria dormir, bem feliz, naquele feriado que caiu num domingo, que não mais importava para ele, pois havia lido no livro o nome de seus dois amores.

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